As chamadas “negociações de alto nível” entre Donald Trump e Xi Jinping parecem cada vez mais um teatro político, e não uma estratégia econômica consistente. O novo episódio da novela envolve, de novo, o TikTok — o aplicativo que virou símbolo de disputa geopolítica e moeda de troca na guerra comercial EUA-China.
O governo americano sinaliza que manter o TikTok no mercado dos EUA é prioridade, enquanto, em paralelo, ameaça novas tarifas que variam de 10% a 50% sobre produtos e setores inteiros. A justificativa? A mesma de sempre: segurança nacional. Mas, na prática, o efeito é transformar empresas de tecnologia em peças de barganha.
Do lado chinês, o movimento é calculado: encerrar discretamente uma investigação antitruste contra o Google, mas aumentar a pressão sobre a compra de chips da Nvidia dentro do próprio país. Um jogo de xadrez em que Pequim mostra que sabe responder na mesma moeda — atingindo pontos estratégicos em vez de retaliar de forma ampla.
Enquanto isso, o Reino Unido, palco da visita de Trump, não conseguiu sequer avançar em negociações para reduzir tarifas sobre o aço britânico. Pelo contrário: os impostos continuam. Em paralelo, a farmacêutica GSK anunciou um investimento bilionário nos EUA, uma jogada quase preventiva diante da ameaça de novas tarifas americanas sobre o setor.
O problema é que, entre idas e vindas, Trump aposta em tarifas como se fossem uma panaceia, ignorando os impactos sobre a cadeia global de tecnologia. Nvidia, Google e até TikTok podem até estar no centro das manchetes, mas os efeitos dessas disputas se espalham por startups, fornecedores de semicondutores e consumidores comuns.
A cereja do bolo? A Suprema Corte agora terá de decidir a legalidade das tarifas impostas com base na lei de emergência econômica de 1977. Sim, Trump esticou a corda ao limite, e o Judiciário pode ser o fiel da balança. Até lá, a incerteza continua sendo o combustível desse “circo tarifário”.
No fim das contas, a mensagem que fica é clara: em vez de criar um ambiente estável para inovação e desenvolvimento tecnológico, a guerra comercial está servindo mais como palanque político do que como política econômica real.














