De promessa de praticidade a fonte de dor de cabeça, o Apple CarPlay já não parece mais tão indispensável quanto foi vendido ao público. Na teoria, o sistema deveria simplificar a vida do motorista, mas, na prática, muitas vezes complica o que antes era simples. Quem nunca perdeu a paciência com o espelhamento que insiste em falhar, desconectar sozinho ou até obrigar o usuário a reiniciar o celular — e, em alguns casos, até o próprio carro?
Esse cenário tem levado muitos motoristas a abandonar o CarPlay e retornar ao sistema nativo das montadoras, que, aos poucos, deixaram de ser ultrapassados. É o que aponta a própria BMW: pesquisas internas mostram que a maioria de seus clientes usa o CarPlay apenas para música e mensagens, mas prefere o programa integrado da marca na hora de navegar.

E não é difícil entender o motivo. Se antes os mapas dos sistemas nativos eram lentos, desatualizados e exigiam penosas atualizações manuais, hoje eles são ágeis, recebem upgrades remotos e conversam de forma muito mais inteligente com o carro. Nesse ponto, a Apple e o Google perderam a exclusividade da praticidade.
Mas o problema do CarPlay vai além da instabilidade técnica. A coleta de dados é outro ponto delicado. Stephan Durach, executivo da BMW, admitiu que informações de mais de 10 milhões de motoristas são monitoradas para entender o comportamento ao volante. Ou seja, além de enfrentar falhas, o usuário ainda paga o preço de ter sua privacidade praticamente inexistente.
Esse desgaste tem feito algumas montadoras reverem sua estratégia. A General Motors, por exemplo, já removeu o CarPlay e o Android Auto de seus veículos elétricos. Rivian e Tesla sequer cogitaram oferecer os sistemas. A BMW, com seus estudos, pode ser a próxima a seguir esse caminho.
No fim das contas, a grande ironia é que o CarPlay, vendido como o atalho definitivo para simplificar a vida, acabou se tornando um obstáculo. E se os sistemas nativos continuam evoluindo, talvez a promessa da Apple de controlar o painel do carro nunca passe de mais um produto que começou como revolução, mas estacionou no caminho.















