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Alto Risco: chineses quebraram criptografia do Bitcoin usando computação quântica

Pesquisadores chineses conseguiram quebrar a criptografia RSA com computação quântica, mas o Bitcoin ainda está protegido
Pesquisadores chineses conseguiram quebrar a criptografia RSA com computação quântica, mas o Bitcoin ainda está protegido (Foto: Pixabay)

Nos últimos anos, o Bitcoin (BTC) conquistou o mercado global, se consolidando como uma criptomoeda resistente a intervenções de governos e com uma inflação controlada. No entanto, entre os críticos do Bitcoin, uma pergunta permanece: e se a computação quântica fosse capaz de quebrar sua segurança? Essa hipótese, que sempre pareceu distante, ganhou nova relevância após pesquisadores chineses darem um importante passo nessa direção.

Pesquisadores Chineses e a Quebra de Criptografia RSA

Recentemente, um grupo de cientistas da Universidade de Xangai, na China, anunciou a quebra da criptografia RSA usando computação quântica. Embora o RSA seja amplamente utilizado para garantir a segurança digital em diversos sistemas, essa notícia levantou preocupações sobre a possibilidade de outras tecnologias criptográficas, como as que sustentam o Bitcoin, também estarem sob risco. O especialista Rafael Castaneda, em uma discussão no X (antigo Twitter), descreveu esse avanço como um alerta, mas destacou que ainda estamos longe de uma ameaça direta ao Bitcoin.

Como o Bitcoin Garante Sua Segurança?

O Bitcoin utiliza duas técnicas principais para garantir sua segurança: o ECDSA (Elliptic Curve Digital Signature Algorithm) e o SHA-256 (Secure Hash Algorithm). O ECDSA é responsável pela criação e verificação de assinaturas digitais, assegurando a integridade das transações, enquanto o SHA-256 é usado no processo de mineração, protegendo a rede contra fraudes. Esses dois métodos são muito mais sofisticados que o RSA tradicional, e até agora, não há indícios de que estejam sob ameaça direta da computação quântica.

O Papel do ECDSA no Bitcoin

O ECDSA, ou Algoritmo de Assinatura Digital com Curvas Elípticas, é fundamental para a segurança do Bitcoin. Ele garante que apenas o proprietário legítimo de uma chave privada possa realizar transações com seus bitcoins. Essa criptografia de curvas elípticas permite que chaves menores sejam usadas sem comprometer a segurança, o que a torna mais eficiente do que outras formas de criptografia, como o RSA. Mesmo que um atacante tentasse adivinhar uma chave privada com computação quântica, o ECDSA ainda representa um desafio considerável.

O Algoritmo de Hash SHA-256

O SHA-256 é o mecanismo que assegura a mineração no Bitcoin, garantindo a integridade dos blocos de transações na blockchain. Esse algoritmo converte qualquer entrada de dados em uma saída de 256 bits, criando uma “impressão digital” única. A função de hash possui propriedades que a tornam ideal para o Bitcoin: é determinística, resistente a colisões e qualquer pequena alteração nos dados gera um hash completamente diferente. Isso impede alterações fraudulentas na blockchain sem que sejam detectadas.

A Computação Quântica e o Bitcoin

Embora o avanço da computação quântica seja significativo, o ECDSA e o SHA-256 ainda estão protegidos de ataques. O grupo de cientistas chineses conseguiu quebrar uma versão fraca do RSA, com apenas 22 bits. Para efeito de comparação, os sistemas modernos utilizam criptografia RSA com 2048 bits ou mais, o que está muito além das capacidades atuais dos computadores quânticos. Dessa forma, tanto o ECDSA quanto o SHA-256, utilizados pelo Bitcoin, estão em um nível muito superior de complexidade.

Riscos de Computação Quântica no Futuro

Apesar de estarmos seguros por enquanto, os riscos que a computação quântica poderia trazer para o Bitcoin não podem ser totalmente descartados. No pior cenário, um invasor poderia, teoricamente, descobrir a chave privada de uma carteira a partir da chave pública, roubando os fundos nela armazenados. Além disso, se o SHA-256 fosse comprometido, seria possível que um atacante assumisse o controle da mineração do Bitcoin, realizando ataques de 51% e potencialmente gastando o mesmo bitcoin mais de uma vez.

A Comunidade Bitcoin e o Futuro da Criptografia

A boa notícia é que a comunidade em torno do Bitcoin está ciente dessas potenciais ameaças e já trabalha em soluções para mitigar os riscos da computação quântica. Segundo Cauê Oliveira, analista-chefe da BlockTrends PRO, os desenvolvedores do Bitcoin, muitos dos quais têm grande parte de suas economias em BTC, estariam dispostos a reagir rapidamente a qualquer sinal de ameaça real. Através de BIPs (Bitcoin Improvement Proposals), a rede poderia ser atualizada para adotar novos padrões de segurança, garantindo que o sistema permaneça protegido.

Incentivos Econômicos e a Segurança do Bitcoin

Os incentivos econômicos desempenham um papel crucial na segurança do Bitcoin. Grandes investidores, como Michael Saylor e empresas que acumulam vastas quantidades de BTC, têm todo o interesse em proteger a rede de qualquer ameaça, incluindo a computação quântica. Isso significa que, assim que houver indícios de vulnerabilidade, haverá pressão suficiente para que desenvolvimentos tecnológicos avancem rapidamente, mantendo a criptomoeda segura.

Atualizações na Rede Bitcoin

O design do Bitcoin permite que melhorias sejam introduzidas na rede por meio de BIPs. Isso garante que, conforme novas ameaças ou tecnologias surjam, como a computação quântica, a rede possa se adaptar. A capacidade do sistema de evoluir e se fortalecer diante de novas ameaças é um dos pilares que sustentam a confiança dos investidores e entusiastas da criptomoeda.

Bitcoin x Moeda Fiduciária

Um dos pontos frequentemente mencionados por defensores do Bitcoin é a diferença fundamental entre as criptomoedas e as moedas fiduciárias. Enquanto o Bitcoin é descentralizado e protegido por uma rede global de mineradores e detentores, as moedas tradicionais podem ser manipuladas por governos e bancos centrais. Essa independência do BTC o torna uma forma de dinheiro “duro”, cujo valor não pode ser facilmente corroído pela inflação ou decisões políticas.

A Caminho de uma Nova Era de Criptografia

Por mais que a computação quântica esteja avançando, a tecnologia por trás do Bitcoin e de outras criptomoedas também não para de evoluir. As novas propostas de segurança, desenvolvidas em resposta a essas possíveis ameaças, mostram que a comunidade está preparada para reagir. A confiança no Bitcoin está baseada em sua capacidade de adaptação e na motivação econômica de manter o sistema seguro.

Resumo para quem está com pressa:

  • Pesquisadores chineses conseguiram quebrar a criptografia RSA com computação quântica, mas o Bitcoin ainda está protegido.
  • O ECDSA e o SHA-256, que garantem a segurança do Bitcoin, são mais complexos que o RSA, e ainda não foram comprometidos.
  • A ameaça quântica ao Bitcoin é real, mas distante. No pior cenário, um invasor poderia roubar bitcoins ou controlar a mineração.
  • A comunidade de desenvolvedores do Bitcoin está ciente dos riscos e já trabalha em soluções para mitigar a computação quântica.
  • Grandes investidores têm incentivos econômicos para proteger a rede, garantindo que melhorias sejam implementadas rapidamente.
  • O Bitcoin se adapta e evolui, tornando-se mais seguro diante de novas ameaças tecnológicas.
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Bacharel em comunicação e há 20 anos atuando em portais de notícias como Folha, Estadão, Limão, Perfil. Falo sobre cinema, tecnologia e cultura pop, nas horas vagas torço pro São Paulo.

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